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Quando o metaverso começou a dominar as manchetes, a reação predominante no ambiente corporativo foi de ceticismo. Avatares coloridos, eventos virtuais extravagantes e a promessa de “mundos paralelos” pareciam mais uma perda de tempo do que uma solução empresarial viável. No entanto, enquanto o burburinho do marketing diminuiu, as aplicações funcionais do metaverso emergiram, facilitando as operações B2B em termos de e colaboração, treinamento e desenvolvimento de produtos.

O que é o Metaverso empresarial

O metaverso empresarial é um ambiente digital imersivo onde pessoas interagem entre si, com objetos virtuais e com o próprio espaço usando avatares personalizados. Contudo, a diferença fundamental em relação à internet tradicional está na sensação de presença e na continuidade da experiência.

Como explica Ralph Lagnado, diretor de inovação e transformação digital da Accenture, a grande imersão está na “tridimensionalidade” da experiência. Essa terceira dimensão tem implicações na colaboração de equipes, condução de treinamentos e desenvolvimento de produtos.

Acessado por meio de realidade virtual (VR), realidade aumentada (AR) e dispositivos conectados, o metaverso B2B permite trabalhar, treinar, projetar e testar em ambientes digitais contínuos e interativos, com resultados mensuráveis e impacto direto no resultado final.

metaverso corporativo

A realidade virtual e a realidade aumentada no metaverso contribuem para uma experiência mais imersiva.

Um mercado em expansão acelerada

Segundo a The Business Research Company, o mercado de metaverso atingiu US$ 227,05 bilhões em 2024 e deve crescer para US$ 314,71 bilhões em 2025, uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 38,6%. Até 2029, a previsão é que o mercado alcance impressionantes US$ 1,3 trilhão, com CAGR de 42,7%. Esse crescimento é impulsionado por uma adoção crescente em setores como saúde, indústria automotiva e aeroespacial.

Quais os usos do Metaverso?

1. Treinamento imersivo

Segundo Allan Cook, diretor administrativo da Deloitte Digital, o treinamento imersivo continua sendo a aplicação mais comum do metaverso no ambiente corporativo, e por boas razões; porque em setores onde erros podem custar vidas ou milhões de dólares, como a saúde e a geração de energia, treinar profissionais em ambientes virtuais permite simular cenários complexos e perigosos sem riscos reais.

Cirurgiões podem praticar procedimentos delicados repetidamente antes de tocar em um paciente. Técnicos de manutenção podem aprender a operar equipamentos industriais caros sem danificá-los. Equipes de resposta a emergências podem treinar coordenação em desastres simulados sem expor ninguém a perigo.

Além de segurança, há um ganho de eficiência: treinamentos presenciais exigem deslocamento, infraestrutura física e coordenação complexa de agendas. Porém no metaverso, equipes globais podem treinar simultaneamente no mesmo ambiente virtual, reduzindo custos e acelerando a capacitação.

 

2. Gêmeos digitais

Gêmeos digitais são réplicas virtuais de objetos ou sistemas físicos que permitem às equipes visualizar, testar e iterar projetos de produtos em ambientes simulados antes de iniciar a produção realmente dita.

Essa tecnologia é especialmente valiosa nas indústrias automotivas avançadas, onde a prototipagem física é cara e demorada. Ao replicar sistemas complexos virtualmente, as equipes podem simular as condições do mundo real, executar cenários de desempenho e identificar possíveis falhas de projeto logo no início do ciclo de desenvolvimento, tais como aerodinâmica, resistência de materiais e comportamento de sistemas complexos antes de produzir um único veículo físico.

Benefícios:

  • Redução de custos: menos protótipos físicos significam menos materiais desperdiçados
  • Colaboração global: equipes distribuídas podem trabalhar simultaneamente no mesmo modelo 3D
  • Detecção precoce de falhas: problemas são identificados e corrigidos antes da produção

 

3. Escritórios virtuais

Reuniões por videoconferência tornaram-se padrão, mas têm limitações óbvias: falta de senso de presença, dificuldade para colaboração criativa e fadiga digital. Todavia, escritórios virtuais no metaverso oferecem uma alternativa tridimensional onde equipes podem se reunir em tempo real, independentemente da localização física. Assim, diferente de videochamadas, os participantes têm presença espacial, já que podem “andar” pelo ambiente, interagir com objetos virtuais, trabalhar colaborativamente em quadros brancos 3D e ter conversas paralelas naturalmente.

Isso é particularmente valioso para brainstorming, design colaborativo e workshops que exigem interação dinâmica, atividades que geralmente funcionam mal em chamadas tradicionais.

 

4. Feiras e conferências virtuais com alcance global

Feiras comerciais e conferências presenciais são caras, exigem uma logística complexa e limitam as  participações a quem pode viajar, enquanto as versões virtuais no metaverso eliminam essas barreiras. Assim, empresas podem criar estandes virtuais interativos, demonstrar produtos em 3D, realizar apresentações ao vivo e conectar-se com prospects globalmente. Isso democratiza o acesso, reduz custos operacionais e amplia o alcance de mercado, especialmente para empresas que querem expandir internacionalmente sem um investimento massivo em infraestrutura física.

 

O que as empresas devem fazer

Cathy Hackl, especialista em metaverso, oferece três recomendações práticas para executivos:

1. Educação é poder

Entenda o que está acontecendo no espaço do metaverso além dos conceitos, com aplicações práticas relevantes para seu setor. Nesse contexto, capacite suas equipes, pois a educação é a base para identificar oportunidades de negócio.

2. Seja estratégico

Se você já está ativo no metaverso com ativações de marketing pontuais, dê um passo atrás e crie uma estratégia holística. Como o metaverso pode agregar valor real ao seu negócio? Quais processos podem ser otimizados? Onde há oportunidades de diferenciação competitiva?

3. Olhe para dentro

Quem na sua empresa tem experiência com realidade aumentada, realidade virtual, design 3D ou desenvolvimento de jogos? Essas pessoas podem liderar iniciativas de metaverso.

Quem pode se beneficiar?

O metaverso B2B não é exclusivo de grandes corporações multinacionais. Pequenas e médias empresas também podem se beneficiar, especialmente em casos de uso como:

  • Treinamento de equipes remotas
  • Apresentações de produtos para clientes globais
  • Workshops de design colaborativo
  • Demonstrações técnicas complexas
  • Eventos de networking e geração de leads

A chave é identificar onde a imersão e a tridimensionalidade realmente agregam valor na sua realidade.

Reinventando, não replicando

Uma das armadilhas mais comuns é simplesmente replicar o mundo físico no virtual. Como Hackl aponta, só porque você vende um produto físico no mundo real não significa que precisa replicá-lo da mesma forma no metaverso. Ele oferece a chance de reinventar a extensão da sua marca, então novas formas de criar, colaborar e construir surgem nesse espaço. Empresas inovadoras estão explorando modelos de negócio baseados em Web3, propriedade compartilhada e cocriação, cujos conceitos não fazem sentido no mundo físico, mas prosperam no digital.

Com previsão de crescimento para US$ 1,3 trilhão até 2029, o mercado está sinalizando que essa transformação é inevitável. E talvez a lição mais importante de Cathy Hackl seja esta: o metaverso oferece a chance de criar algo completamente novo. Para empresas dispostas a pensar além do óbvio, as oportunidades são ilimitadas.

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