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 Machine learning é um ramo da Inteligência Artificial (IA) em que sistemas aprendem padrões a partir de dados, com pouca intervenção humana.

No Excel, esse aprendizado pode acontecer por recursos nativos, por código Python integrado à planilha ou por assistentes de IA.

A adoção dessas tecnologias no Brasil ainda tem espaço para crescer. A pesquisa TIC Empresas 2025 mede o uso de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) pelas empresas do país.

Segundo o Cetic.br, 17% das empresas brasileiras usaram algum tipo de IA em 2025, contra 13% em 2023 e 2024. Por isso, começar por uma ferramenta que a equipe já conhece é um caminho viável.

O que você encontrará no conteúdo:

Quais são os tipos de machine learning?

Existem três tipos principais de aprendizado.

No aprendizado supervisionado, o modelo treina com dados que já trazem entradas e resultados conhecidos. Depois, ele prevê resultados para dados novos. Um exemplo é estimar as vendas do próximo trimestre a partir do histórico.

No aprendizado não supervisionado, o modelo procura padrões em dados sem rótulos prévios. Esse tipo costuma descobrir grupos, como segmentos de clientes com comportamento de compra parecido.

No aprendizado por reforço, o sistema toma decisões em sequência e recebe recompensas ou penalidades pelas ações. Com o tempo, ele ajusta o comportamento para otimizar o desempenho.

Ou seja, esse tipo exige simulações e ambientes de teste, por isso raramente roda em planilhas.

Que recursos do Excel já ajudam nessa jornada?

Em um artigo de 2018, Michael Saunders, gerente de programa da equipe do Office na Microsoft, destacou o Calc. Segundo ele, o Calc é o mecanismo de cálculo do Excel e sustenta o valor da ferramenta.

Além do Calc, quatro recursos costumam passar despercebidos. Primeiro, as Tabelas Dinâmicas condensam milhares de linhas em resumos visuais.

Em seguida, as funções PROCV, PROCX, ÍNDICE com CORRESP e SOMASES cruzam fontes de dados sem exigir programação. Já as macros e o VBA (Visual Basic for Applications) automatizam tarefas repetitivas, e o que levava horas passa a rodar em segundos.

Por fim, o Power Query conecta bancos de dados, APIs (Application Programming Interface) e arquivos. Ele também organiza os dados por consultas visuais que podem ser repetidas sem escrever código.

Sendo assim, com esses recursos, a base de dados fica pronta para a modelagem. Ainda assim, a qualidade da fonte define a qualidade do resultado.

É possível aplicar machine learning no Excel?

Sim, é possível. Hoje existem quatro caminhos, e a escolha depende do problema e da licença do Microsoft 365 da empresa.

O primeiro caminho reúne os recursos nativos. A regressão linear, com funções como PREVISÃO.LINEAR e PROJ.LIN, atende previsões simples. A Planilha de Previsão, na aba Dados, projeta séries temporais, como vendas mensais.

O segundo caminho é o Python no Excel. Basta digitar a função =PY() em uma célula para escrever código Python, sem instalar nenhum complemento. O código roda na nuvem da Microsoft, em um contêiner isolado.

O ambiente inclui bibliotecas da distribuição Anaconda, como pandas, statsmodels e scikit-learn. A Microsoft anunciou a disponibilidade geral em setembro de 2024, para Windows com Microsoft 365 Business e Enterprise.

Como planos e plataformas podem mudar, confira a licença da empresa antes de planejar o projeto.

Árvores de decisão e análise de cluster entram por esse caminho, com o scikit-learn.

O terceiro caminho é o Copilot, o assistente de IA da Microsoft. O Agent Mode do Copilot no Excel chegou à disponibilidade geral para Windows e Mac em janeiro de 2026.

A informação consta no roteiro de produto do Microsoft 365, e a disponibilidade varia conforme o plano. Ele monta tabelas, gráficos e fórmulas a partir de pedidos em linguagem natural.

Já a função =COPILOT() classifica e resume textos dentro de fórmulas, como o sentimento de avaliações de clientes. A empresa indica a função para tarefas semânticas e exploratórias, como classificar textos. Por isso, ela não substitui as fórmulas tradicionais em cálculos.

O quarto caminho é o Claude, assistente de IA da Anthropic, que funciona como suplemento do Excel. Ele aparece em detalhes na seção sobre como usar o Claude dentro do Excel, mais abaixo.

Como implementar machine learning no Excel, passo a passo?

O processo tem seis etapas, da pergunta de negócio ao monitoramento do modelo.

1. Defina a pergunta de negócio. Comece por uma pergunta objetiva, como quais clientes têm maior chance de comprar de novo. Essa pergunta indica os dados necessários e o tipo de aprendizado adequado.

2. Prepare os dados. Use o Power Query, na aba Dados, em Obter Dados, para tratar valores ausentes, remover duplicatas e padronizar formatos. Filtros, fórmulas e formatação condicional também ajudam nessa limpeza. A qualidade dos dados influencia diretamente o resultado do modelo.

3. Escolha o algoritmo. A regressão linear prevê valores contínuos, como vendas futuras. A árvore de decisão classifica registros em categorias, como clientes com alta, média ou baixa probabilidade de compra. A análise de cluster agrupa registros parecidos, como clientes com hábitos de consumo semelhantes.

4. Treine o modelo. Separe os dados em um conjunto de treino e outro de teste, por exemplo 80% e 20%. Depois, treine o modelo com o primeiro conjunto. No Python no Excel, o scikit-learn faz isso em poucas linhas dentro de uma célula.

5. Avalie o desempenho. Compare as previsões com os dados de teste, que o modelo ainda não viu. Métricas como o erro médio, para valores numéricos, e a acurácia, para classificações, indicam se o modelo é confiável. Gráficos do Excel ajudam a visualizar as diferenças.

6. Aplique em novos dados e monitore. Com o modelo validado, aplique-o a novos registros para gerar previsões. Depois, revise o desempenho periodicamente, porque o comportamento dos clientes muda e o modelo pode precisar de novo treino.

Como usar o Claude dentro do Excel?

O Claude funciona como suplemento do Excel. Ele lê células, fórmulas e planilhas inteiras, responde perguntas sobre a lógica do arquivo e cita as células de origem para facilitar a conferência.

Além disso, ajuda a diagnosticar erros como #REF! e #VALUE!, a atualizar premissas sem quebrar dependências e a montar modelos preservando a formatação.

A Anthropic lançou o suplemento em beta, em outubro de 2025. Em janeiro de 2026, ele passou a estar disponível para assinantes do plano Pro. A instalação é simples.

Em Inserir, Suplementos, basta ativar o Claude e entrar com a conta. Administradores também podem implantar o suplemento para a organização pelo Centro de Administração do Microsoft 365.

Na rotina de machine learning, o Claude ajuda principalmente na preparação e na análise. Ele pode explicar uma base desconhecida, sugerir etapas de limpeza, escrever fórmulas e montar a estrutura de uma análise.

Já o treino do modelo segue pelos caminhos descritos antes, como os recursos nativos e o Python no Excel.

Como qualquer IA, o Claude pode errar. Arquivos com macros, Tabelas Dinâmicas e VBA podem exigir revisão manual completa.

Por isso, comece com um grupo pequeno, defina como conferir os resultados e registre regras básicas de uso.

Quais benefícios o machine learning no Excel traz para gestores?

O principal benefício é a análise preditiva, que estima vendas, demanda e tendências com base nos dados da empresa. A segmentação por cluster ajuda a direcionar campanhas e ofertas.

Além disso, a classificação automática de textos, como comentários de clientes, economiza horas de leitura manual. Também é possível sinalizar registros fora do padrão, como lançamentos financeiros incomuns, para revisão.

Aplicações de grande escala pedem volumes altos de dados e integração com outros sistemas. É o caso da detecção de fraudes em tempo real, da recomendação de produtos e da manutenção preditiva.

Nesses cenários, o Excel funciona como protótipo para validar a ideia antes do investimento.

Quais limites e cuidados considerar antes de começar?

O Excel aceita até 1.048.576 linhas por planilha, e esse limite restringe bases muito grandes. Além disso, o Python no Excel e a função =COPILOT() processam dados na nuvem da Microsoft.

Por isso, vale alinhar o uso com as áreas de segurança e de proteção de dados.

A Microsoft informa que os dados enviados ao Python no Excel não persistem na nuvem. A função =COPILOT(), por sua vez, não calcula em arquivos com etiqueta de sensibilidade Confidencial ou Altamente Confidencial.

Por fim, modelos de machine learning podem errar.

Por isso, valide as previsões com quem conhece o negócio antes de decidir.

Quais boas práticas valem para qualquer analista?

Documente cada alteração em uma aba chamada Notas, porque o seu eu do futuro agradece. Crie backups e salve versões do arquivo a cada etapa importante.

Sendo assim, valide os dados visualmente, com gráficos e Tabelas Dinâmicas, antes de modelar. Por fim, organize a base com cabeçalhos claros e sem linhas ou colunas vazias.

Quando migrar do Excel para outras ferramentas?

Cada empresa está em um estágio de maturidade analítica. Em geral, o Excel atende bem quem começa a estruturar processos e painéis.

Depois, quando surgem várias fontes de dados e a necessidade de painéis compartilhados, entram as ferramentas de Business Intelligence (BI), como o Power BI.

Por fim, projetos com modelos preditivos, sistemas de recomendação e automações inteligentes costumam pedir um ambiente próprio de machine learning.

Nesse contexto, na Orbital atendemos empresas em cada um desses estágios.


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