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A tecnologia blockchain no Brasil vem se tornando a infraestrutura central do mercado de capitais, impulsionada por marcos regulatórios claros, crescimento acelerado de volume de transações e maturação do ecossistema empresarial. Somente entre julho de 2024 e junho de 2025, O Brasil movimentou US$ 318,8 bilhões em criptoativos, um crescimento de 110% em relação ao período anterior. Isso consolida o país como líder da América Latina e quinto colocado no ranking global de volume de transações com criptomoedas.

Mas o mais significativo está na mudança de foco. A nova fase da criptoeconomia brasileira concentra-se na eficiência operacional de processos de registro e custódia, reduzindo a burocracia e viabilizando novos modelos de negócio para pequenos e médios empresários.

As criptomoedas vêm ganhando estabilidade no mercado financeiro brasileiro.

A criptoeconomia no Brasil vem sendo consolidada, tornando-se uma excelente oportunidade para empresas e investidores.

Da especulação à infraestrutura produtiva

Bruno Faria, COO e sócio da Bloxs, explica a mudança de paradigma: “A tecnologia blockchain para a infraestrutura vem com a ideia de otimizar processos e evitar registros espalhados em cada intermediário. Isso reduz problemas de conciliação e deixa o ativo mais programável em termos de pagamento e conformidade, resultando em um processo muito mais barato.”

Assim, o maior potencial imediato de digitalização está em ativos com fluxos previsíveis e alto volume de burocracia. Segundo Faria, “o que mais faz sentido inicialmente no Brasil é ‘matar a burocracia’ em ativos como crédito privado, debêntures e notas comerciais. Colocar esses títulos na blockchain permite atender pequenos e médios empresários na captação de recursos, transformando isso em investimento de forma mais barata na ponta final.”

 

Stablecoins como motor da criptoeconomia

Segundo a Chainalysis, empresa de monitoramento e análise de blockchain, mais de 90% dos fluxos brasileiros envolvem stablecoins, ou seja, criptoativos lastreados em moedas fiduciárias como o dólar. Isso coloca o Brasil como o “motor da criptoeconomia” latino-americana.

A Chainalysis afirma que “o avanço brasileiro é amplo e consistente. Além do forte desempenho institucional, todas as faixas de valor de transferência cresceram, indicando maturidade do varejo e expansão do uso no dia a dia.” Esse crescimento distribuído entre diferentes faixas de valor evidencia que a adoção está tanto em grandes players institucionais, como também o varejo está incorporando criptoativos em transações cotidianas.

Entre os demais mercados da região, em termos de volume de movimentações com criptomoedas, aparecem Argentina (US$ 93,9 bilhões), México (US$ 71,2 bilhões), Venezuela (US$ 44,6 bilhões) e Colômbia (US$ 44,2 bilhões).

 

Consolidação do setor e exigências de capital

As novas resoluções do Banco Central (BCB 519, 520 e 521) representam uma mudança estrutural obrigatória para o setor. Essas normas definem como obter autorização e o nível de governança necessário para a supervisão do Banco Central. Embora tragam benefícios como trilhas de auditoria e liquidação mais rápida, o movimento ainda é incipiente e exige que os agentes de mercado se adaptem rapidamente.

Além disso, a exigência de um capital social mínimo de R$ 10 milhões deve provocar uma consolidação entre as empresas menores do setor. Segundo Faria, “empresas que não possuem o capital de R$ 10 milhões precisarão se fundir a grupos maiores ou mudar seus planos de negócio. Esse aumento da régua regulatória acaba sendo um contraste entre o desafio das pequenas e o aumento de liquidez esperado ao atrair investidores institucionais.”

Essa dinâmica já está refletida nos dados do setor. Uma pesquisa conjunta da PwC Brasil e da Associação Brasileira de Criptoeconomia revela que 53% das empresas participantes estão em fase de consolidação, enquanto 20% permanecem em expansão e outros 20% ainda operam em fases iniciais. O número de funcionários acompanha essa diversidade, com predominância de organizações de pequeno porte (37%) e presença expressiva de grandes empresas com mais de 500 colaboradores (27%).

No aspecto financeiro, o faturamento é distribuído de forma ampla. 30% das empresas movimentam entre R$ 0,5 e R$ 5 milhões, enquanto 27% ultrapassam R$ 200 milhões, revelando a convivência entre startups emergentes e players já estabelecidos.

 

Perfil do ecossistema brasileiro

A criptoeconomia no Brasil permanece fortemente ancorada no setor financeiro, com 53% dos respondentes atuando como fornecedores ou empresas ligadas a serviços financeiros. Mesmo fora do universo bancário tradicional, muitos players operam em áreas estreitamente vinculadas ao sistema financeiro. A distribuição por setor mostra serviços financeiros (53%), tecnologia (23%), serviços profissionais (10%), automotivo (3%) e outros (10%).

Essa concentração também se reflete no fato de que 63% das empresas não possuem qualquer licença bancária, um indicador de que a estrutura regulatória atual ainda não contempla plenamente as necessidades do setor e abre espaço para novas definições e ajustes regulatórios.

Grande parte desses atores é composta por novos entrantes, agora diante de exigências crescentes de compliance, autorizações formais e possíveis registros como Virtual Asset Service Providers (VASPs).

 

Expectativas de crescimento

A pesquisa revela que 80% das empresas consideram as criptomoedas como a tecnologia de maior impacto para os negócios. Ademais, 70% afirmam que blockchain, cripto e tokenização são suas principais fontes de receita. Enquanto isso, as expectativas de crescimento são variadas, já que 57% das empresas projetam avanços entre 1% e 50%, 23% estimam crescimento de até 100% e 17% esperam resultados ainda maiores.

O perfil de clientes reforça essa diversidade, pois metade das empresas atende o público corporativo, 7% focam em pessoas físicas e 43% atuam com ambos, sinalizando a multiplicidade de modelos e frentes em expansão na criptoeconomia nacional.

 

Implicações para empresas e investidores

1. Redução de custos operacionais

A adoção de blockchain para registro e custódia de ativos reduz os custos de conciliação, intermediação e conformidade. Empresas que operam em crédito privado, debêntures e notas comerciais podem viabilizar operações antes economicamente inviáveis.

2. Acesso a capital para PMEs

A digitalização de ativos de crédito via blockchain democratiza o acesso a capital para pequenos e médios empresários. O custo reduzido de emissão e distribuição torna economicamente viável captar recursos de investidores menores.

3. Trilhas de auditoria e compliance

Os benefícios regulatórios incluem trilhas de auditoria automáticas, liquidação mais rápida e conformidade programável. Isso reduz riscos operacionais e custos de compliance para instituições financeiras.

4. Atração de capital estrangeiro

A clareza regulatória está atraindo investidores institucionais estrangeiros que antes evitavam o mercado brasileiro por incerteza jurídica. Isso amplia a liquidez e reduz o custo de capital.

Estratégias e conformidade regulatória no Brasil

O Brasil consolidou-se como líder regional em criptoeconomia, impulsionado principalmente pelo volume massivo de transações, regulação progressiva e maturação empresarial. Para empresas, isso traduz-se em oportunidades de redução de custos, acesso a capital, eficiência operacional e conformidade automatizada. Para investidores, representa um mercado em rápida expansão com fundamentos sólidos e segurança regulatória.

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