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Split Payment: o que é, como funciona e o que muda em 2027?

Split payment é o mecanismo que vai mudar a forma como sua empresa recolhe tributos a partir de 2027.

A Receita Federal já confirmou o cronograma. Ainda em 2026, começam os testes internos, com alíquotas simbólicas de 0,9% para a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e 0,1% para o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).

O split payment retira algo que toda empresa brasileira considera certo há décadas: o controle sobre o dinheiro do imposto entre o momento da venda e o momento do recolhimento.

Na prática, o split payment é um problema de arquitetura de dados.

Ele exige que nota fiscal, meio de pagamento e situação tributária da empresa conversem em tempo real. Algo que a maioria dos ERPs (Enterprise Resource Planning) não foi desenhado pra fazer sozinho.

O que é split payment?

Split payment, ou pagamento fracionado, é o mecanismo que separa automaticamente a parcela do imposto no momento da transação comercial.

Hoje, a empresa recebe o valor total da venda e recolhe o tributo depois, dentro de um já prazo. Com o split payment, o sistema financeiro faz essa divisão na hora. O valor líquido vai para o fornecedor.

Essa mudança de fluxo financeiro, aliás, é uma das tendências tech que toda empresa deveria monitorar em 2027, como já mapeamos aqui

A parte do imposto vai direto para o ente arrecadador. Ao lado do IBS e da CBS, o split payment sustenta a operação do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) Dual, o novo desenho tributário aprovado pela Reforma Tributária.

IBS e CBS definem o que será cobrado. O split payment define como esse valor circula.

A operação depende de um cruzamento de dados entre a nota fiscal eletrônica e o meio de pagamento usado na transação.

O motor de apuração calcula o tributo devido e distribui os valores em tempo real, com base nas regras fiscais de cada operação.

Como o split payment funciona na prática?

A regulamentação do split payment prevê três níveis  para o cálculo do tributo retido:

Cada modalidade tem um ritmo de adoção diferente, e é aí que entra o cronograma oficial da Receita Federal.

Cronograma do split payment: o que muda em cada fase?

2026 é o ano de testes do split payment. A Receita Federal já aprovou o Manual da Plataforma Pública, o que abre o prazo para bancos e operadoras de pagamento desenvolverem suas integrações.

A implementação efetiva do split payment começa em 2027, de forma gradual e por tipo de meio de pagamento.

A primeira fase prioriza operações B2B, inicialmente facultativa para quem origina a transação, com boleto, PIX e TED no escopo. Cartões e operações B2C entram em etapas posteriores.

O IBS terá uma transição mais longa, com entrada progressiva até 2032, quando substitui totalmente ICMS e ISS.

Um marco central desse ecossistema é o ROC (Registro de Operações de Consumo), que vai centralizar pagamentos, notas fiscais e apuração tributária em tempo real. Tudo isso com governança compartilhada entre União, estados e municípios.

Os riscos do split payment que a empresa não pode ignorar

Embora o split payment reduza inadimplência e fraude, ele também cria pontos de atenção novos.

Em primeiro lugar, há o risco da restituição de valores retidos a maior. Se o sistema errar a classificação fiscal ou reter um valor incorreto, a devolução precisa ser ágil. Caso contrário, o impacto recai direto sobre o caixa da empresa.

Além disso, existe o risco de retenção incorreta recair sobre quem não deu causa ao erro.

Nesse sentido, o split payment pode transferir para o adquirente de boa-fé riscos que o sistema atual não impunha, especialmente em cadeias com fornecedores irregulares.

Por isso, reforça-se a importância de due diligence tributária de parceiros comerciais antes de fechar contratos de maior volume.

Por fim, há um risco operacional. Isso porque ERPs, gateways de pagamento e plataformas de conciliação bancária precisam reconhecer a nova lógica de segregação do split payment.

Consequentemente, empresas com baixa maturidade digital tendem a sentir mais esse custo de adaptação.

Como preparar a empresa para o split payment antes de 2027?

Quatro frentes merecem prioridade já em 2026:

  1. Mapeamento fiscal completo. Identificar onde e como os tributos incidem em cada operação, e quais departamentos serão impactados pela mudança no recolhimento.
  2. Simulação de fluxo de caixa. Como o tributo passa a ser retido no ato da transação, o volume de recursos disponíveis em caixa tende a cair. Empresas com margens apertadas ou forte concentração em B2C sentem esse efeito primeiro.
  3. Atualização de sistemas. ERP, emissores de nota fiscal e gateways de pagamento precisam estar prontos para processar a nova lógica de cálculo do split payment e se integrar ao ROC.
  4. Revisão contratual e de indicadores. Contratos com prazos, margens e repasses financeiros podem precisar de ajuste. O mesmo vale para indicadores de performance que hoje consideram o imposto como parte do capital de giro.

Quanto mais cedo a sua empresa começar esse diagnóstico, maior  será a margem de manobra pra ajustar sistemas sem retrabalho.

Split payment é um problema de dados, não só de compliance

Para começar, o motor de apuração do split payment precisa cruzar três fontes em tempo real: a nota fiscal eletrônica, o meio de pagamento usado na transação e o histórico de créditos e débitos tributários da empresa.

Ou seja, isso é um pipeline de dados. E é justamente aí que a maioria das empresas vai sentir o maior atrito.

O ROC vai funcionar como uma nova camada de dados à qual toda empresa vai precisar se conectar. Sendo assim, é preciso repensar como ERP, gateway de pagamento e plataforma fiscal trocam informação, e com que latência.

Por isso, empresas que enxergam a mudança como um projeto de arquitetura de dados chegam a 2027 com uma base sólida e reaproveitável para outras iniciativas de dados depois da reforma.

Quer entender como estruturar essa integração de dados antes da fase obrigatória do split payment em 2027? Fale com o time de dados da Orbital.

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