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Split Payment: o que é, como funciona e o que muda em 2027?

TL;DR

  • Assim, o split payment separa o imposto no momento do pagamento, e o valor líquido segue para o fornecedor.
  • Em 2026, os testes de integração com bancos e operadoras começaram em 15 de outubro, sem operações definitivas.
  • Já em 2027, a adoção deve ser gradual e facultativa, sem data fechada para a primeira etapa.
  • Porém, a obrigatoriedade está prevista para 2028, mas ainda não há norma que a defina.
  • Por isso, vale preparar caixa, sistemas e contratos desde já.

Split payment é o mecanismo que vai mudar a forma como as empresas recolhem tributos no Brasil, com adoção gradual a partir de 2027. Com ele, o tributo é separado na hora da transação.

Desde agosto de 2026, as notas fiscais eletrônicas trazem campos de CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e IBS (Imposto sobre Bens e Serviços).

As alíquotas de teste são de 0,9% e 0,1%, e os valores são apenas informativos em 2026.

Na prática, o split payment exige que nota fiscal, meio de pagamento e situação tributária conversem em tempo real. Porém, muitos ERPs (Enterprise Resource Planning) não foram desenhados para fazer isso sozinhos.

Hoje, explicamos o que é o split payment e como ele funciona. Continue lendo e entenda o cronograma atualizado e como se preparar.

O que você encontrará no conteúdo:

  1. O que é split payment?
  2. Como o split payment funciona na prática?
  3. Cronograma do split payment: o que muda em cada fase?
  4. O que as empresas podem usar em 2027 enquanto o split payment não chega?
  5. Quais são os riscos do split payment que a empresa não pode ignorar?
  6. Como preparar a empresa para o split payment?
  7. Por que o split payment é uma questão de arquitetura de dados?

O que é split payment?

Split payment, ou pagamento fracionado, é o mecanismo que separa automaticamente a parcela do imposto no momento da transação comercial.

Hoje, a empresa recebe o valor total da venda e recolhe o tributo depois, dentro de um prazo já definido. Com o split payment, o sistema financeiro faz essa divisão na hora.

O valor líquido vai para o fornecedor, e a parte do imposto segue direto para o ente arrecadador.

Essa mudança de fluxo financeiro, aliás, é uma das tendências tech que toda empresa deveria monitorar em 2027, como já falamos aqui.

O split payment sustenta a operação do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) Dual, o novo desenho tributário da Reforma Tributária.

Em resumo, IBS e CBS definem o que será cobrado, e o split payment define como esse valor circula.

Como o split payment funciona na prática?

O split payment depende de um cruzamento de dados entre a nota fiscal eletrônica e o meio de pagamento usado na transação.

O motor de apuração calcula o tributo devido e distribui os valores com base nas regras fiscais de cada operação.

Segundo a Receita Federal, o mecanismo só é acionado quando os débitos de CBS e IBS ainda não foram quitados. A quitação anterior pode ocorrer por compensação com saldo credor do fornecedor ou por pagamento antecipado.

A regulamentação prevê três níveis para o cálculo do tributo retido:

Cada modalidade tem um ritmo de adoção diferente, e é aí que entra o cronograma de implementação.

Cronograma do split payment: o que muda em cada fase?

O cronograma do split payment segue em definição, e as datas de 2027 em diante ainda dependem de normas conjuntas.

Abaixo resumimos os marcos já confirmados e as previsões publicadas até o início de novembro de 2026.

Data Marco O que significa
Agosto de 2026 Notas fiscais com campos de IBS e CBS Alíquotas de teste de 0,9% e 0,1%, apenas informativas
15 de outubro de 2026 Início dos testes de integração Prestadores de pagamento e Plataforma Pública, em ambiente controlado
13 e 16 de novembro de 2026 Formulários e inscrições nos testes Abertura para os demais prestadores de pagamento interessados
1º de janeiro de 2027 Entrada em vigor do RAD Split payment gradual e facultativo, sem data fechada para a primeira etapa
2028 (previsão) Possível obrigatoriedade Depende de norma e da homologação dos meios de pagamento
2032 Fim da transição do IBS IBS substitui totalmente o ICMS e o ISS

Em 2026, o foco está nos testes. A Receita Federal e o CGIBS publicaram o Manual da Plataforma Pública, que abriu o prazo para as integrações de bancos e operadoras.

Em outubro, os prestadores de pagamento começaram a testar essa conexão. Nenhuma operação é processada em caráter definitivo nessa etapa.

Em setembro, a Receita Federal indicou que a obrigatoriedade está prevista para 2028. Essa data depende da homologação de todos os meios de pagamento e de mais de 220 instituições financeiras.

A primeira etapa deve priorizar operações B2B, com caráter facultativo. No início, o escopo se limita a boleto, PIX, TED e TEF. Os cartões entram depois.

Já o IBS terá uma transição mais longa, com entrada progressiva até 2032, quando substitui totalmente o ICMS e o ISS.

O que as empresas podem usar em 2027 enquanto o split payment não chega?

O RAD (Recolhimento pelo Adquirente) é a alternativa prevista para 2027, e ele também é opcional. Nesse modelo, o comprador recolhe o tributo da operação, em vez de o fornecedor fazê-lo.

Até a obrigatoriedade do split payment, o recolhimento convencional por guia continua valendo. Dessa forma, a empresa pode escolher entre a guia tradicional e o RAD, conforme a sua operação.

Há um ponto de atenção no regime de caixa do RAD. O comprador só pode se apropriar do crédito de CBS e IBS quando o débito do fornecedor for extinto ou recolhido. Por isso, a conferência das notas fiscais dos fornecedores ganha peso.

Quais são os riscos do split payment que a empresa não pode ignorar?

O split payment pode reduzir a inadimplência e a fraude tributária, mas também cria pontos de atenção novos.

Em primeiro lugar, há o risco da restituição de valores retidos a maior. Se o sistema errar a classificação fiscal ou reter um valor incorreto, a devolução precisa ser ágil.

Caso contrário, o impacto recai direto sobre o caixa da empresa. Além disso, existe o risco de a retenção incorreta recair sobre quem não deu causa ao erro.

Nesse sentido, o split payment pode transferir ao adquirente de boa-fé riscos que o sistema atual não impunha. Isso vale especialmente em cadeias com fornecedores irregulares.

Por isso, reforça-se a importância da due diligence tributária (análise prévia) de parceiros comerciais antes de fechar contratos de maior volume.

Também há um risco operacional. ERPs, gateways de pagamento e plataformas de conciliação bancária precisam reconhecer a nova lógica de segregação do split payment.

Consequentemente, empresas com baixa maturidade digital tendem a sentir mais esse custo de adaptação.

Por fim, existe uma lacuna normativa. As regras ainda não tratam com clareza devoluções, cancelamentos e inadimplência.

Como preparar a empresa para o split payment?

Quatro frentes merecem prioridade já em 2026, mesmo com as datas ainda abertas.

  1. Mapeamento fiscal completo: identificar onde e como os tributos incidem em cada operação e quais departamentos serão impactados. Também vale verificar se os fornecedores emitem notas com IBS e CBS corretos, porque o crédito depende disso. Erros nos dados de cadastro de quem paga e de quem recebe podem bloquear pagamentos.
  2. Simulação de fluxo de caixa: como o tributo é retido no ato da transação, o volume de recursos em caixa tende a cair. Empresas com margens apertadas sentem esse efeito primeiro. Por isso, vale prever também uma recuperação de créditos mais lenta.
  3. Atualização de sistemas: ERP, emissores de nota fiscal e gateways precisam estar prontos para o novo cálculo e para a integração com o ROC. Os prestadores de pagamento já testam a conexão, então vale perguntar ao banco e ao fornecedor do ERP em que etapa eles estão.
  4. Revisão contratual e de indicadores: contratos com prazos, margens e repasses podem precisar de ajuste. Isso vale principalmente para contratos de longo prazo com cláusulas de preço que embutem tributos sem nomeá-los. O mesmo vale para indicadores de performance que hoje tratam o imposto como parte do capital de giro.

Quanto mais cedo a sua empresa começar esse diagnóstico, maior será a margem de manobra para ajustar sistemas sem retrabalho.

Por que o split payment é uma questão de arquitetura de dados?

O motor de apuração do split payment precisa cruzar três fontes em tempo real. São elas a nota fiscal eletrônica, o meio de pagamento usado na transação e o histórico de créditos e débitos tributários da empresa.

Ou seja, trata-se de um pipeline de dados. E é justamente aí que a maioria das empresas deve sentir o maior atrito.

O ROC vai funcionar como uma nova camada de dados, à qual as empresas precisarão se conectar. Sendo assim, é preciso repensar como ERP, gateway de pagamento e plataforma fiscal trocam informação, e com que latência.

Por isso, empresas que enxergam a mudança como um projeto de arquitetura de dados tendem a chegar a 2027 com uma base sólida. Essa base também pode ser reaproveitada em outras iniciativas de dados depois da reforma.

Quer entender como estruturar essa integração de dados antes da fase obrigatória do split payment?

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